Sexta-feira, Abril 04, 2008

Será que é assim?


Algumas vezes me pergunto qual o papel que a mídia representa atualmente em nossas vidas.

Aquele que já foi chamado de quarto poder hoje parece esquecer sua própria identidade em nome daquilo que nos acostumamos a chamar de poder econômico.

A impressão que tenho é que o interesse comercial se sobrepõe ao interesse jornalístico quando o veículo se transforma em mero mural de anúncios.

À exceção da internet, que (ainda!) mantém certo caráter anárquico e por isso mesmo consegue trazer informação das mais diversas fontes (dos grandes portais até os mais solitários blogs), para que o leitor faça sua própria análise e escolha de conteúdo, nos demais veículos o editor-chefe parece ter sido substituído (sem remorso) pelo departamento comercial.

Quando o comercial é mais comentado que a notícia do Jornal Nacional, quando a notícia é tratada superficialmente e o artigo de opinião é reduzido para que o anúncio pago ganhe mais espaço, talvez seja chegada a hora de parar para pensar se é dessa maneira que queremos receber informação.

Se for mais importante sabermos as ofertas das montadoras de carros, ou qual loja oferece o melhor preço em geladeiras, talvez os problemas da cidade já não sejam mais tão importantes assim.

Talvez a qualidade da educação que nossos filhos recebem ou o trato que está sendo dado ao dinheiro dos impostos que pagamos já não seja mais tão importante quanto escolher entre um televisor de plasma ou LCD, mesmo sem ler nenhuma matéria que diga que ambas as tecnologias estão defasadas.

Thomas Jefferson em 12 de janeiro de 1819 disse: “Anúncios...contêm as únicas verdades confiáveis de um jornal.”

Será que é essa a máxima que aplicaremos à mídia no século XXI?
Este artigo deveria ser publicado no Jornal da Cidade em 05 de abril de 2008. Infelizmente, foi censurado, pois parece que o que interessa é apenas o elogio e não a crítica sincera.
É...parece que Thomas Jefferson estava certo. Há 200 anos atrás!!!

4 comentários:

Anônimo disse...

Pois é Lorenza, e a censura está aí. Não interessa ao poder cabeças que pensem porque senão haveria muito barulho.

Surdina.
Assim é que as coisas acontecem.

Como acontecem as centenas de assaltos em Atibaia mas são publicados apenas uns 2 ou 3 por edição.

A cidade está agonizante e nós vamos no embrulho - com uma folha de jornal da edição policial.

Anônimo disse...

E meu amigo Anonimo, Voltando ao Passado (Nao ha opiniao publica, ha opiniao publicada)(W.Churchill)

Parabens Lorenza! Hoje é dia do Jornalista, Muito embora poucos lembrem-se, E quantos não deram a vida para informar. Pergunto se o Custo-Beneficio valeu a pena!

Joao disse...

Sabe que comentava sobre isso nesta semana? A mídia nos transfere aquilo que lhes é útil que saibamos, nada além daquilo que lhes convêm.
Você mesma viu isso ao ter esse post recusado pelo jornal da sua cidade, ou seja, eles pedem por direitos de expressão mas são eles mesmos quem bloqueiam os direitos do cidadão em receber as notícias como elas são.
Fiquei sabendo somente nesta semana que o programa Caldeirão do Huck, da Globo, sofre ação na justiça por enganar um participante do quadro Lata Velha, inclusive por falsificação de documentos. Procurei saber se era verdade (acessei o TJ do RJ) e realmente se confirmou, desde setembro do ano passado está na justiça.
Alguém sabida disso? Poucos, pouquíssimo, aliás.
Não saiu matéria sobre esse fato em lugar nenhum, apenas em blogs.

A internet veio para revolucionar o mundo da comunicação e os blogs são as ferramentas que fazer a verdade se difundir mais rápido em meio as manobras das grandes mídias para encobrir e somente mostrar o que querem.

Anônimo disse...

A grande (?) imprensa está um nojo. Globo, Folha, Estadão e Veja. É o quarteto parada dura. Se eu fosse jornalista provavelmente teria que fazer terapia se trabalhasse num desses veículos, especialmente se fosse nas editorias de política ou economia. Quer saber mais? Acesse o site do jornalista Luiz Carlos Azenha (www.viomundo.com.br).